?

Log in

mia
04 October 2011 @ 01:29 pm
A pior solidão não aparece quando estou só. Estar só, aliás, pode ser muito agradável. O pior tipo de solidão aparece na multidão. Na praça de alimentação de um shopping, na sala de aula, na rua XV de novembro, no parque, na mesa de bar, na pista de dança. Posso estar sozinha ou com algumas pessoas, mas de alguma forma eu não pertenço. Não entendo o assunto da conversa, não tenho interesse, minha mente divaga pra algum lugar além das risadas, goles e baforadas de cigarro. São breves momentos em que eu odeio todos (inclusive algumas pessoas que eu amo. Principalmente elas.), ninguém me entende e, de alguma forma, eu me torno extremamente inadequada. Meus pés doem, bocejo de tédio e o meu maior desejo é me isolar, física e mentalmente.
É aí que eles entram: todos aqueles livros na estante, as músicas no iPod, os seriados em avi no pen drive, os filmes na tela do cinema. De alguma forma, preenchem minha alma e me dão o conforto de uma casa, maior que qualquer prazer material. Algumas pessoas que viveram anos comigo não conseguem me entender, mas o Morrisey abre furiosamente meu peito com as suas letras: a identificação é imediata. E como explicar o amor por um personagem inventado em 1945? Afinal, Holden Caufield consegue expressar o que eu sinto melhor do que eu mesma. Ele tem a coragem de falar coisas que eu não consigo assumir que estão dentro de mim. Já a Bridget Jones parece ser a única que já passou tanta vergonha quanto eu. E se até ela encontrou alguém que a amasse apesar de tudo...
Talvez seja essa a mágica que prende tantos expectadores em frente á televisão durante o último capítulo da novela das oito. Talvez isso explique o sucesso das bibliotecas móveis para desabrigados. A realidade é cruel, intolerante, dura. As pessoas são más e o que vai nem sempre volta, o esforço nem sempre vale a pena no final das contas. Mas ali, escondido em algum conto ou no riff de guitarra de alguma música existe algo. Maior que eu, maior que você, que atinge como um raio cada um de nós de forma diferente. É quase como receber o abraço de alguém amado. E no meio de toda essa bagunça, finalmente pertencemos. 
 
 
Current Mood: calmcalm
Current Music: Maroon 5 - Sweetest Goodbye | Powered by Last.fm
 
 
mia
01 December 2008 @ 02:46 pm



comente pra ser adicionado :)
 
 
Current Mood: crazycrazy